A primeira vez que obtive permissão para visitar essa cidade depois do meu desencarne se deu já há algum tempo, e naquela época a emoção foi tanta que não conseguia nem falar, o choque com as emoções dos médiuns me acalmou um pouco.
Neste momento eu percebi que não basta querer se comunicar, tem que saber fazê-lo.
Mas os mentores permitiram que eu sentisse isso na prática, pois acho que na minha inferioridade eu iria achar que era má vontade deles.
Quando um espírito vem transmitir uma mensagem, seja escrita ou falada, ele já obteve algumas instruções antes para poder ter êxito e não se emocionar em demasia. E agora, consigo conter-me em minhas lagrimas, pois sei que há muito eu desejava conseguir me comunicar com vocês. Cheguei até a pensar que era uma necessidade egoísta, essa de comunicar-me com os que ficam. Mas o tempo foi me dando forças para vir até aqui trazer algo de bom e não contagiá-los com alguns sentimentos que fugiam um pouco da paz cristã.
Eu trabalhava no hospital, e entre os irmãos terminais eu aprendi a mais preciosa lição, a de não desistir nunca. Quanto exemplo de fé e perseverança adquiri naqueles anos de trabalho. Cada paciente que desocupava o leito através da “morte”, eu refletia sobre a vida e sua estreita fronteira com a morte. Acreditava na justiça de Deus e em seu inesgotável amor. Mas eu sentia um vazio dentro de mim que era difícil de entender. Alguns pacientes iam, outros vinham e eu meditava como ficava família de cada um. Depois de meses de luta e de mudança de rotina, voltavam para casa com apenas uma sacolinha do que restou de bens aquele ser tão amado.
Nas noites de plantão, vi verdadeiros anjos em forma humana velando seus queridos parentes, tratando todos com muito carinho. Mas também vi muitos que nem sequer uma visita recebiam e nós nos mobilizávamos para que sempre alguém de nós nos momentos de folga fossemos visita-los.
Tinha família, filhos, mães velhinhas que foi embora em minhas mãos no hospital. Com a graça divina pude cuidar dela nos últimos instantes de sua vida. E quando ela se foi o vazio foi tão intenso que sentia que não teria forças para continuar naquela vida, mas logo eu era despertada de minha angustia ao ver os filhos visitando seus pais e não tendo o privilegio que tive de ficar constantemente ao lado de seus queridos.
Muitos familiares recebiam a noticia do falecimento dos seus parentes sem estarem segurando em suas mãos nos últimos instantes.
Eu percebia o que era dor e entendia, pois sentia isso em mim mesma, a perda, a despedida. O ultimo adeus.
Deus, nos prepara para cada situação, nos dá condição de exercitarmos os dons que são inerentes ao espírito, e muito antes de renascer já fazia estágios nos hospitais espirituais. Queria não ser apenas uma enfermeira, mas ser uma enfermeira a serviço do Cristo. Tentei, dentro de minhas possibilidades espirituais, mas nem sempre conseguia ser uma instrumento divino para amenizar dores.
Com os filhos crescidos e casados, já viúva, vi romperem-se as barreiras que me prendiam à vida e me vi flutuando em cima do meu corpo. Quanta confusão!
Lembro que não sabia o que estava acontecendo e isso me desesperava. Mas nada como a mãe da gente para infundir calma e confiança. Mamãe segurou firme em minhas mãos e senti um calor que me inundou inteira. Eu perdi a consciência e adormeci. Quando acordei, lá estava ela, ao meu lado me infundindo seu amor. E com as bênçãos de Deus logo compreendi a minha condição de desencarnada e não queria se paciente em um hospital onde uma vida inteira fui trabalhadora. Reagi e levantei-me. Ainda me sentindo muito fraca fui a uma capela orar e agradecer a Deus por permitir que eu continuasse vivendo Mesmo depois de morrer.
Em algumas semanas já passeava pelo hospital e pude visitar alguns antigos pacientes que haviam desencarnado e estavam se recuperando.
Então eu desenvolvi esse desejo, de deixar uma mensagem de otimismo a todos os que receberam a noticia, nos hospitais, que seus entes partiram.
Simplesmente se transferiram para um hospital muito mais sofisticado, movido a técnicas do amor imensurável do Cristo.
Continuam seus tratamentos com um porem, começam a fazer o reverso, vão da doença à cura em pouco tempo para uns, em mais algum tempo para outros.
Deixo a todos os incentivos das preces em beneficio da melhora espiritual de cada um, que são como remédios que auxiliam na cura. O que me emociona muito é toda noite, quando as visitas se abrem aos encarnados, e é um entra e sai de amigos, parentes, pais, visitando seus pais. Quanta bênçãos Deus nos dá. A separação é temporária, de algumas horas apenas, pois durante o sono físico o espírito liberto vai de encontro a seus entes queridos.
Tenham fé, meus queridos amigos! Nenhum filho de Deus está desamparado.
Alguns não conseguem aceitar o fato de terem de romperem com tudo e de uma hora para outra iniciarem em novos hábitos. Pois viver é um habito, e temos que saber mudalo a cada vida.
Sinto que consegui desta vez me expressar mais claramente.
Agradeço a atenção e convido-os a visitarem o hospital em que tenho a oportunidade de estudar e aprender.
O serviço no bem é inesgotável.
Graças a Deus e que Jesus seja para todos o medico das Almas, conduzindo à recuperação e ao fortalecimento.
Com imenso carinho.
Enfermeira Janete.
Terça-Feira – 06/10/200